A maneira como dizemos as coisas reflecte a nossa atitude perante elas e a vontade com que as fazemos. Por exemplo, se eu disser que o Primeiro Ministro merecia levar um estalo, dá uma certa ideia de pacata violência, reflectindo o meu desagrado com a sua governação. Agora se eu disser: "Ao Shocras era quem lhe pregache uma balente laushtíbia!", é de certa forma bastante mais expressivo.
Isto leva-me a pensar que se desvaloriza determinadas expressões, provavelmente as mais interessantes da Língua Portuguesa. Palavras como Laustíbia, Amolachar, Torresmo ou Shalimar o Palhaço.
Vamos por hoje analisar cada uma destas 4 palavras.
Laustíbia será portanto um estalo, uma chapada, uma bolacha, mas convenhamos que tem íntriseca uma atitude muito mais forte, convicta e enquanto um estalo qualquer menino dá, uma laustíbia não é bem assim. Para enfiar uma laustíbia é preciso saber e experiência, força e vontade!
O Torresmo, ao que parece come-se muito lá para o sul, na capital da gente fina, e terá várias definições, rojão com 3 semanas, banha de porco panada ou nha nha frita, sendo que muito provavelmente a melhor definição será: horrível, mas também nunca provei, nem me parece que o vá fazer. (É capital e comem isto?)
Amolachar deve ser amolgar, esmagar tipo bolacha.
Já shalimar o palhaço devia ser introduzido como nova expressão da língua portuguesa, não confundir com um palhaço de nome Shalimar.
Atrevo-me a dar aqui uma definição para a expressão "Shalimei o Palhaço!":
Cheguei ao pé do gajo, enfiei-lhe uma balente laustíbia de tal forma que o pus a andar à egípcio com a cabeça que nem um torresmo amolachado.
Atentem na riqueza desta definição, usando as palavras anteriores e referências históricas à representação hieróglificó-magnífica dos desenhos egípcios. Notem ainda o uso inédito da metáfora com torresmo amolachado, chegando a cheirar a hipérbole, porque para além de torresmo, ainda se exagera dizendo que é amolachado. Será uma expressão para ultrapassar em atitude e convicção a expressão: é preciso fazer alguma coisa em relação à atitude daquele palhaço, ou do Primeiro Ministro para voltar ao exemplo inicial, e só por isso.
Assim quando ouvir o Shócras na televisão, ou até quando alguém me chatear, viro-me para os meus "amigos" e digo, é preciso Shalimar o Palhaço!
(Agradecimentos ao pessoal da camioneta por terem partilhado comigo estes belos termos, nomeadamente, obrigado ao barco, à soja milk, ao horas em número 24, por aí..)
Alguns domingos à noite, novas teorias e considerações.
(E vá lá, à quarta uns apontamentos....)
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Shalimar o Palhaço!
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
O plano de Deus.
Eu não creio (muito menos re-creio) que Deus tenha um plano para todos nós, os biliões. Passo a explicar a minha teo-ria.
Se eu fosse Deus, sabendo que ninguém me chateia e tendo a certeza de ir para o céu, porque se assim não fosse, não era o céu, eu não estava para me dar ao trabalho de fazer grandes planos. Para quê? Ninguém me castiga e faço o que me apetece.
Há quem acredite na existência de um plano divino para todos nós, e que tudo faz parte desse grande plano, tudo por um bem maior. Eu cá para mim Deus está tranquilucho, sentado no sofá de pernas esticadas, a ver televisão. Para já deve ter um ecrã panorâmico, a comida é concerteza divinal...e ainda por cima não precisa de comando...
Sem grandes preocupações, deve estar sempre relaxaducho no céu sofá...se se sentir sózinho faz uma pessoa (e isso deve ser fixe). E muito provavelmente está-se a rir que nem um desalmado a ver o Praça da Alegria (Deus terá alma? Cá para mim ri-se sempre que nem um desalmado...). Ainda por cima deliciado, irónicamente, com as suas invenções a cantar e a dançar.
Na sua...
Por isso é que não considero justo dizer-se que as escolas privadas e católicas têm os alunos com melhores notas no ranking nacional. Com a ajuda de Deus também eu...
Mas aí, se o plano de Deus for mostrar que tudo o que é católico é melhor que o resto, aí já acredito num plano de Deus. Assim têm lógica, faz todo o sentido. O papa apercebeu-se que Deus estava numas de relaxe e disse: "Oh pá, passas o dia a ver televisão e não fazes nada? Vou eu fazer o plano divino por ti?"
Ao que Deus terá respondido: "Tás à vontade oh Ratz, achas que alguém te vai ligar? És mesmo crente! Olha já que tás de pé chega-me aí um pacote de batatas fritas que tá a começar o jogo."
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Há que parabenilizar...
Por Miguel Semedo
Um blogue que fará o mundo pinchar e avançar, que escutará o sonho de todos nós...o sonho de finalmente percebermos o que passa despercebido. Será um basta, um pontapé na mesa que levantará todos os dogmas e paradigmas desmarcados na lateralidade deste nosso mundo.
Se perguntará, se responderá, se discutirá tudo aquilo que não interessa nada mas que ninguem fala!
Principios como a audácia e a coragem precisam-se e estes serão residentes honorários desta casa desmarcada...neo zelandesa com certeza.
Não só quem inventou a praça da alegria mas também quem foram os primeiros telespectadores dessa manha mais ou menos bem passada...sim, quem foi o primeiro a pensar “ufa, hoje tenho tempo livre...deixa-me pensar...vou ver um filmezito? Vou tomar o pequeno-almoço com os amigos? Vou ler um livro? Vou fazer jogging com o Sarkozy? Naaaa, vou mas é ver o praça da alegria!” Quem terão sido essas mentes quase tão brilhantes como a inteligência do Paulo Sousa? Não é o jogador de futebol, é o ex-jogador de futebol e neo-intelectual psicoanalista desportivo com estilo... Perguntaremos e discutiremos!
Não deixaremos também que passem em claro investidas tão selvagens e perigosas como a que temos assistido na ultima década de exclusão social do sabor a baunilha. A verdade pura e dura é que este tem sido subtilmente e neo-liberalmente substituido pelo sabor a nata! Que finos que nós somos, andamos anos e anos a lamber o sabor a baunilha mas mal a nata nos pisca o olho saciamo-nos e deliciamo-nos com os hiper-espectaculares cornettos de nata! BASTA!É por estas e por outras que estamos aqui, a ser tao perspicazes e brilhantes como o criador do praça da alegria ou o guru Paulo Sousa neo-intelectual psicoanalista desportivo com estilo!
terça-feira, 6 de novembro de 2007
O olho destreinado.
Ontem Paulo Portas, pelo CDS-PP, pediu a demissão da Ministra da Educação. Eu fico tão enternecido pelo carinho que os políticos têm uns pelos outros. Reparem na simpatia de Paulo Portas ao pedir, "pedir" a demissão da ministra. De facto sempre estivemos habituados à educação, elevação de discurso e elegância deste "gentleman" da Política Mundial, ou até Universal, no entanto eu atrevo-me aqui a dar uma interpretação desta mensagem subliminar.
Na realidade a pergunta de Paulo Portas foi: "Desculpe, eu gostava de ser ministro, podia demitir-se?", mas para perceber isto é preciso ter o olho treinado...
Outra coisa que Paulo Portas disse foi: "Não se pode tratar da mesma forma um aluno que falta porque vai ao funeral de um familiar e um aluno que falta para ficar no café a fumar um cigarro"
Mais uma vez é preciso ter olho treinado para perceber porque quererá ele dar prémios a quem vai tomar café e fumar um cigarro?...hmmm....
Vou-vos deixar aqui um vídeo de 30 segundos, com uma mensagem subliminar. Um olhar destreinado não reparará na forte mensagem oculta passada, e só passado algum tempo perceberá o que se passa....mas se estiverem atentos, podem utilizá-lo para treinarem a interpretação destas mensagens de Paulo Portas. (ouçam o ssussurar...)
Hm....desmarcada não é? (...workshop live..). Cá para mim este vídeo é a prova de que há vida fora da Terra (quem sabe inteligente...).
Os extra-terrestres raptam esta senhora nos anos 80 e tentam fazer um vídeo para o youtube com uma mensagem subliminar. Mas a mim não me apanham, eu sou perspicaz, este vídeo não é feito por humanos, nessa altura não havia youtube!
Além disso reparem no olhar de aterrorizada com que ela toca guitarra...está a olhar para algum sítio......
Se tudo isto não vos convence, expliquem-me, é impressão minha ou atrás podem ver-se cortinas verdes gigantes de veludo?
domingo, 4 de novembro de 2007
Há uma razão para tudo...
...
...excepto para os cães de louça.
Não há razão absolutamente nenhuma para que existam cães feitos de porcelana fina. No fundo seja do que for, fazer cães de tamanho quase real, esculpidos cuidadosamente em louça, ultrapassa o meu conceito de sanidade mental.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Quebrar a rotina do pensamento
Estávamos sentados à mesa, eu tinha um livro na mão. Entretanto uma senhora pára em frente a nós com olhar sério. Como ela trazia uma roupa a condizer com as paredes, pousei o menu e pedi: "Uma mista e uma cola, por favor." ao que a senhora responde: "Fresca ou Natural?" Aqui está, era isto que procurávamos. A perspicácia e sagacidade desta afirmação! Porque temos de beber sempre cola fresca? Não me poderá apetecer natural? Esta senhora apercebeu-se como o mundo nos molda as ideias...Eu próprio tenho o raciocíonio tolhido de tal forma, que parti do principio que a pergunta dela se referia à cola...
A isto chamo quebrar a rotina do pensamento. Pessoas que são capazes de fugir àquilo que comuns mortais nem se apercebem fazer maquinalmente, como beber colas frescas.
Mais recentemente, ao passar no drive in do Macdonald's (sim, esse bastião do império capitalista) resolvi pedir uma tarte de maçã (e se aquilo são tartes de maçã já sei porque os americanos não têm farturas..). E então recebo um saco de papel, abro e verifico a presença da referida tarte....e ainda....15 guardanapos de papel e 2 pacotes de ketchup. Ora aqui há várias questões a analisar. Primeiro a senhora que me serviu está claramente a chamar-me porco, achou que eu precisava de 15 guardanapos para comer uma tarte. Mas há algo mais profundo...os 2 pacotes de ketchup....
Pessoalmente tenho 3 teorias. Primeira teoria: a rapariga é de esquerda, se toda a gente têm direito a ketchup, porque é que este cliente, só porque vai comer uma tarte de maçã, não tem?
Segunda teoria: ela sente que está a ser explorada, a receber uma miséria à hora, quer vingar-se do Macdonald's, então começa a oferecer ketchup a torto e a direito, "vou dar rombo no ketchup, quero ver no fim do mês como se vão safar deste prejuízo..."
Terceira e última: calhou.
De qualquer das formas, quebrou a rotina do pensamento, neste caso do meu, que fiquei a olhar para o saco praí 5 minutos a pensar......."Onde é que está o hamburguer?"
Foi devido a algo semelhante a isto que eu há pouco tempo descobri ser portador duma veia artística. Estava a ver um programa na RTP1 chamado "Só Visto", cujo nome e slogan são geniais, porque o programa é mesmo só visto, e a entrevistada era Rita Pereira. Dizia ela que desde cedo descobriu a sua veia artística. Quando andava na escola queria sempre ir ao quadro, mesmo quando não sabia a resposta, e ninguém queria ir ao quadro, ela queria sempre ir ao quadro. Gostava. Pois muito bem, imagino a rita Pereira a dirigir-se para o quadro...
(aproveitem para ver quem é a Rita Pereira)
..chega ao quadro e o professor, então diz lá.....não sei, mas gosto muito de tar aqui e ri-se. Os colegas ao que parece adoravam.
Foi assim também que eu descobri que tinha veia artística, porque eu quando andava na escola também queria sempre que a Rita Pereira fosse ao quadro. Pelos vistos chama-se ter veia artística.
E então se tenho veia artística vou ser famoso, pensam vocês...em Portugal, meus amigos, para se ser famoso não chega ter uma veia artística, no entanto basta ter duas, se forem bem boas...!
E que tem isto de quebrar a rotina de pensamento? Pensavam que a Rita Pereira era conhecida por ser bem apessoada, não é verdade, têm veia artística desde novinha...
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Fazer as perguntas sobretudo.
Há coisas que não se entende, não se sabe quem inventou, quem as faz ou quem as diz.
Quem inventou a praça da alegria?
Há ainda comportamentos incompreensíveis e pequenos pormenores da vida que tentam passar despercebidos.
Depois há quem faça comentários super perspicazes e muito inteligentes sobre tudo isso.
E como se isso não bastasse, há gajos como nós...sentados no sofá.